terça-feira, 11 de maio de 2010

Como fazer o risoto perfeito

Por mera coincidência, enquanto planejava ir ao Festival de Risotto do Sapore D´Italia, recebi do correspondente de Londres a coluna da escritora Felicity Cloake no site do jornal inglês “The Guardian”. Em “Como fazer o risoto perfeito”, ela conta como descobriu esse segredo. Leia aqui a coluna na íntegra. Todas as fotos desse post são da Felicity.

Ela nunca se deu bem na hora de cozinhar arroz, especialmente ao preparar o risoto, que segundo as receitas, leva 20 minutos para ficar pronto e supostamente é um prato simples e fácil. Determinada a acertar, Felicity inscreveu-se em uma aula de risoto com o chef do grupo Carluccio, Eric Chauvet, que deu dicas importantes.

Ele explicou que não usa o arroz arborio, variedade mais popular por aqui, mas o carnaroli. Eu já tinha ouvido falar que era melhor, mas não sabia a razão. Segundo Chauvet, o arborio era popular quando os risotos eram algo em que você poderia fincar o seu garfo em pé, uma vez que, por ter mais amido, produz risotos mais densos e pegajosos. Hoje, a moda é fazer um prato mais leve e solto, e é aí que entra o delicado carnaroli.

Arborio (esq.) e Carnaroli (dir.)

Ele começa o preparo do risoto com uma borrifada de óleo vegetal, e não azeite de oliva, considerado muito forte para o prato. Você pode usar manteiga, mas o óleo vegetal é mais leve, como o carnaroli.

São cinco os passos para o risoto perfeito. Primeiramente, o arroz certo: carnaroli, ou uma variedade chamada vialone nano para sabores mais robustos. Depois, vem a “tostatura”: que é a torra das cebolas e do arroz. Nenhum dos dois deve ficar amarronzado – as cebolas porque isso arruinaria o sabor do risoto, e o arroz porque isso “trancaria” o amido, que é essencial para a textura do prato. Mas é importante que os grãos estejam bem quentes na hora de acrescentar o vinho, que deve chiar na panela.

Então, temos o caldo, que deve ser saboroso e mantido em ponto de fervura. O chef coloca a primeira concha, e mistura o arroz com uma espátula chamada girariso, com um furo no meio. Enquanto ele mistura o arroz em uma direção, a camada acima passa pelo buraco na direção oposta, o que dobra seu poder de misturar. Como o ato de misturar ajuda a soltar o amido que dá a textura cremosa ao risoto, o girariso é bem útil.


Eric é da escola tradicional, e acrescenta uma concha de caldo por vez, misturando continuamente. Depois de 15 minutos, ele tira a panela do fogo, junta a manteiga e um punhado de parmesão e mexe com vigor. Isso, o chef diz, é a “mantecatura”, importante para que o risoto fique leve e solto, sem grumos. E, o mais importante, não se esqueça de provar antes de servir, verificando a necessidade de corrigir o tempero.

Empolgada com a aula, Felicity vai para casa e testa várias maneiras de se fazer risoto, até chegar à sua receita perfeita, que reproduzo abaixo.

Receita de risoto perfeito
(serve duas pessoas)



Ingredientes

1,25l de um bom caldo, de frango ou de vegetais
25g de manteiga ou uma colher de sopa de óleo vegetal
Metade de uma cebola, picada finamente
200g de arroz carnaroli
1 taça pequena de vinho branco
50g de manteiga sem sal, em pedaços
50g de queijo parmesão ou Grana Padano ralado

Modo de preparo

Aqueça o caldo até ferver (se usar cubos, prove o caldo, para ver se não está muito salgado. Acrescente mais água se for o caso). Derreta os 25g de manteiga (ou use o óleo vegetal) em uma panela de fundo pesado, e acrescente a cebola, mexendo até que esteja macia. Junte o arroz carnaroli, aumente o fogo e misture para cobrir os grãos com a manteiga ou o óleo. Quando eles estiverem quentes, acrescente o vinho branco e continue misturando até que ele evapore. Então, comece a colocar o caldo, uma concha de cada vez, deixando o caldo ser quase totalmente absorvido antes de acrescentar a próxima. Durante esse processo, coloque os outros ingredientes, se houver. Quando o arroz começar a ficar macio (depois de cerca de 13 minutos, mas o único jeito de saber é ir checando), acrescente o caldo em quantidades menores, e prove regularmente até que ele esteja no ponto que você deseja. Então coloque 50g de manteiga em pedaços, e 50g de queijo ralado, e bata com gosto, até o risoto ficar rico e cremoso. Cheque o tempero e sirva imediatamente.

Aprovado! Festival de Risoto do Sapore D´Italia

Animados pelas boas críticas dos leitores deste blog que foram ao Sapore D´Italia conferir o Festival de Risotto Italiano, seguimos para lá no último sábado. Também era uma boa oportunidade para conhecer o restaurante do chef Gabriel Carvalho. Trata-se de um ambiente familiar, que faz você se sentir em casa, talvez por causa de toques pessoais, como os porta-retratos espalhados em uma mesa no canto do salão.


A cozinha é aberta, de todos os ângulos você pode acompanhar a ação da equipe, que comanda as panelas com muita ordem e silêncio. O serviço e o atendimento também é simpático e acolhedor, dos garçons ao chef proprietário, que visita todas as mesas, cumprimentando e conversando com a clientela.


Por sugestão do próprio restaurante, levamos a nossa garrafa de vinho, já que não é cobrada taxa de rolha, somente R$ 3,00 por copo utilizado. Iniciamos o festival com o crocante da sardenha, bem fininho, uma delícia.


Em seguida, a bruschetta al pomodoro, que veio bem quentinha, com uma camada de queijo parmesão tostadinho.


Depois começou a festa do risoto! A informação inicial que eu tinha era que seriam cinco pratos, mas foram quatro. Ainda bem, porque eu não conseguiria comer nem mais uma garfada de arroz! Talvez seja por isso que a quantidade de pratos foi reduzida de cinco para quatro. Depois da sobremesa, quase saí de lá carregada.

As opções de risoto eram diferentes das que eu tinha colocado no post sobre o Festival, mas já tínhamos sido avisados de que novos sabores poderiam entrar durante o evento. Todos foram aprovadíssimos, o cozimento do arroz estava no ponto, e os sabores, deliciosos. Destaque para o ragu de picanha. Segundo explicações do chef Gabriel, a carne é cozida lentamente com a gordura, que então é retirada. Comemos, nessa ordem:

Risoto de Filé de Lagostim ao Pomodoro

Risoto de Filezinho de Alcachofra

Risoto de ragu de picanha al brasato

Risoto de ossobuco de cordeiro

Para finalizar, a sobremesa. Comi o sgroppino, sorvete de torta de limão com creme de morangos frescos e espumante, e o Bruno foi de creme de mascarpone diet com creme de frutas vermelhas.

Sgroppino

Creme de mascarpone

Aprovo e recomendo o festival. O preço é até barato (R$ 64,00 aos finais de semana) se levarmos em conta a quantidade e a qualidade da comida. Corram porque termina dia 15, e aguardem novidades do chef Gabriel, que nos próximos dias vai à Itália mais uma vez para pesquisar. Ele me disse que, na volta, deve criar algo em cima do tema finger food.

sábado, 8 de maio de 2010

Comer um filme

Navegando pela internet pesquisando para o post sobre filmes e gastronomia, descobri o projeto “Mesa de Cinema”, da jornalista gaúcha Rejane Martins, que une a sétima arte aos prazeres da mesa. Rejane decidiu reunir duas de suas paixões - cinema e gastronomia - num evento com chefs de todo o Brasil. Funciona assim: são selecionados filmes que provocam os sentidos e as emoções reunindo cerca de 80 pessoas por edição. Um chef cozinha na hora.

“A metáfora de comer um filme torna-se realidade. O público ainda participa de debate com crítico de cinema e outro de gastronomia e delicia-se com um jantar ou almoço inspirado nas receitas do filme”, diz. Ela explica que o evento – que acontece desde 2005 e já realizou mais de 50 edições - foi idealizado de forma que se permita degustar o filme antes e depois da sessão.“Uma sessão de cinema deve ser realizada no escurinho, no silêncio”. Mas e se a fome apertar? Ela explica: “Fazemos um coquetel antes do filme, assim as pessoas podem ficar duas horas sem comer, sem qualquer problema.”

Para ajudar a entrar no clima, a jornalista extrai trilhas para serem executadas ao vivo durante o almoço ou jantar: “Restaurante e sala de cinema se transformam em uma espécie de bunker de delícias: para os olhos, os ouvidos, o paladar e - dependendo do filme e do cardápio - para o tato também”.

Achei a idéia da Rejane tão sensacional, que mandei um e-mail, perguntando se ela não traria o Mesa de Cinema, que já foi realizado em diversas cidades do Brasil e até na Bélgica, para BH. Ela me disse que vem com o maior prazer, mas que precisa de parceiros e patrocinadores para bancar o projeto. Quem sabe a turma de cá se interessa, e conseguimos ter um Mesa de Cinema por aqui... Só não se esqueçam de me convidar.

Mais informações no blog e no site do projeto:
http://www.mesadecinema.blogspot.com/
http://www.mesadecinema.com.br/

Fonte: GNT Gourmet

Evento inspirado em "Simplesmente Martha". Dois chefs com o mesmo nome dos personagens do filme (Mario e Martha) encenaram para o público (Divulgação/Claudio Fonseca)

quarta-feira, 5 de maio de 2010

A mesa vai ao cinema

Ótima a coluna do jornalista Sérgio Augusto Carvalho, publicada na edição março/abril da revista Mercado Comum. No texto “A mesa vai ao cinema”, ele fala sobre filmes cujos temas giram em torno do universo da gastronomia.

Julie & Julia, que não é mencionado por Sérgio, foi o último deles. Delicioso de assistir, provocou em mim vontade imediata de me teletransportar para Paris, e em todos os cozinheiros de plantão, de correr para a cozinha. Mais uma grande atuação de Meryl Streep no papel de Julia Child, famosa por popularizar a cozinha francesa nos EUA com o seu livro “Mastering the Art of French Cooking”.


Reproduzo aqui trechos da coluna:

Em todos os países onde o cinema é uma força se produzem roteiros em volta de um fogão ou de várias mesas. Historias de povos, famílias e pessoas com a vida passada entre amores, desilusões, descobertas, brigas, guerras e crenças em uma cozinha ou sala de refeições.

A recente animação Ratatouille, dos americanos Brad Bird e Jan Pinkava, mostra como esta deliciosa missão de fazer comida passa dos seus limites quando um rato realiza o seu sonho de ser chef e penetra na cozinha de um restaurante.


Talvez os últimos 10 anos tenham sido mais férteis na produção de filmes que se passam no dia a dia de uma cozinha, da vida de um cozinheiro, de sua família, amigos e até inimigos – como em Uma Receita Para a Máfia, de Bob Giraldi.

Dos mais recentes, há vários que merecem ser vistos.

Simplesmente Marta, uma produção ítalo-alemã que conta a historia de uma chef que complica suas criações no fogão até resolver os problemas do coração: uma sobrinha herdada e um cozinheiro italiano tradicionalista.


Sideways – Entre Umas e Outras, a historia de um frustrado escritor apaixonado por vinhos que sai comendo e bebendo todas para curar sua depressão e aumentar a dos outros.


Super Size Me - A Dieta do Palhaço, um documentário de Morgan Spurlock que mostra a cultura nociva do fast-food na vida moderna. Ele cai de pau no McDonald´s e mostra como uma pessoa acaba com sua saúde comendo hambúrguer todo dia.

Na mesma linha, temos o excelente Nação Fast Food, de Richard Linklater, que narra a trajetória do dono de uma das maiores redes americanas de comida rápida (mais correto dizer é “feita nas coxas”, com mil micróbios). Don Henderson, que descobriu num de seus restaurantes toneladas de carne moída de hambúrguer contaminada e saiu pesquisando as conseqüências desse “alto” negócio nos Estados Unidos.

Vatel – Um Banquete Para o Rei, feito na Inglaterra e na França, é uma parte da historia (romanceada) de um dos maiores cozinheiros que viveram na França do Século XVI, François Vatel. Era um perfeccionista que fazia comida com tamanha paixão que não resistiu à incompetência dos outros. Quando preparava um banquete para o rei Luis XIV, faltaram os peixes e frutos do mar que encomendara em TODOS os portos da França. Com tamanha indignação, trancou-se no seu quarto e enfiou um punhal no coração.

O filme mais importante para o mundo gastronômico em todo o mundo, sem discussão, é A Festa de Babette, do dinamarquês Gabriel Axel, rodado em 1987, em Copenhague. Talvez seja o filme em que são mostrados os melhores detalhes, em imagens lindas, de como manusear os ingredientes de um prato bem elaborado. E a relação de amor entre uma pessoa que sabe apreciar e venerar a comida e a bebida que lhe são oferecidas.





O Amor Está Na Mesa, francês de 1998, é uma comédia gastronômica que lançou Jason Lee no cinema e mostra, entre fornicações e pescoções, a dura missão de um chef de cozinha estrelado para manter sua cotação no Guia Michelin (não citado no filme). Interessante.

Outros filmes que de alguma forma estão ligados à arte, necessidade e paixão pela comida e a bebida e que merecem ser vistos – nem que seja só para matar a curiosidade – são estes (a maioria, americanos):

Tapas (ESP)
A Comilança (IT/FR)
Casamento Grego (EUA)
A Grande Noite (EUA)
Chocolate (EUA)
Alimento da Alma (EUA)
A Mulher do Padeiro (FR)
Tomates Verdes Fritos (EUA)
Sabor da Paixão (EUA)
Quem Está Matando os Grandes Chefs da Europa? (FR/IT/EUA)
Os Brutos Também Comem Espaguete (JP)
As Férias da Minha Vida (EUA)
Caminhando nas Nuvens (EUA)
As Luzes de um Verão (VIETNÃ/FR/AL)
Comer, Beber, Viver (TAIWAN)
Jantar Com Amigos (EUA)
Estômago (BR/IT)
Herencia (AR)
Historias de Cozinha (NO/SU)
Mondovino (AR/FR/IT)
O Cozinheiro, o Ladrão, Sua Mulher e o Amante (FR/UK/HO)
O Jantar (IT/FR)
A Marvada Carne (BR)

Há outros, mas esta lista já é muito boa. Culinariamente imperdíveis, como A Festa de Babette, só chegam perto Simplesmente Marta e, talvez, O Amor está na Mesa. Como culto e respeito à gastronomia, os documentários valem perder um tempinho com eles.

Alguém tem sugestões para aumentar a lista?

terça-feira, 4 de maio de 2010

Economize até 50% em restaurantes na França e Espanha

A dica preciosa vem da Maria Lina, do excelente Conexão Paris:

"Meus caros, passo para vocês uma dica que vale ouro. No site La Fourchette vocês reservam um restaurante e na hora do “a conta, por favor” (l’adition, s’il vous plaît), vocês obtêm um desconto de até 50%.

As casas que participam deste site não são restaurantes obscuros em endereços extravagantes. Dei uma olhada na lista e encontrei excelentes chefes.


Como o site funciona? Vocês escolhem um restaurante por cidade, bairro ou especialidade. Uma lista de sugestões aparece. Vocês clicam nos nomes para maiores detalhes. Em seguida vocês clicam em
reserver. Escolhem dia, número de pessoas e hora. O site verifica a disponibilidade. Última etapa, vocês deixam nome e endereço para receberem email ou SMS de confirmação.

Todos os restaurantes não oferecem 40% ou 50% ao mesmo tempo. À direita da página principal vocês verão a lista das promoções. Hoje
(1º de maio), neste espaço, encontrei 108 restaurantes parisienses propondo estes descontos. Entre eles o 16 Haussmann, Michel Rostang, Le First."

Tem coisa melhor? Você faz a reserva pela internet, sem precisar telefonar e, conforme o caso, ainda ganha um bom desconto, que sai automaticamente na conta. O site, que tem versão em inglês e espanhol, inclui restaurantes espalhados por toda a França e em algumas cidades espanholas.

Segundo comentários dos leitores do Conexão, bebidas estão excluídas da promoção. As fórmulas (menus com preço fixo) estão incluídas, mas com um percentual menor, de 20%, o que ainda é uma promoção interessante.

No La Fourchette você também pode ler os comentários de clientes que estiveram no restaurante pesquisado e orientar sua pesquisa de acordo com vários critérios. “Promoções” é um deles. Cada restaurante tem a sua promoção, inclusive com dias e horários específicos.

Uma leitora da Maria Lina indicou outro site para fazer reservas em Paris. O Best Restaurants Paris apresenta os melhores, não necessariamente os mais caros, e tem versão em inglês. Você pode fazer a busca através de cinco categorias: tipo de cozinha, localização, serviço, orçamento e dia de funcionamento. Esse site não dá desconto, portanto, sugiro que verifiquem os preços antes...

                                                      Crédito: Blog Conexão Paris

Pão & Cerveja: grande festa comemora aniversário do programa


Já tinha falado aqui no blog sobre o programa Pão e Cerveja, apresentado pela jornalista Fabiana Arreguy na rádio CBN BH. Pois no dia 29 de maio ele comemora o seu primeiro ano, com uma edição especial e uma grande festa com cervejas artesanais e comida alemã. A notícia publicada no blog da AcervA Mineira - Associação de Cervejeiros Artesanais de Minas Gerais segue abaixo, com todos os detalhes:

Para quem pensa que a cerveja não tem espaço na mídia, está aí o programa Pão e Cerveja para derrubar de vez esse conceito. O programa, transmitido pela Rádio CBN BH às sextas-feiras pela manhã está completando um ano neste mês de maio. É uma vitória também nossa, da Acerva Mineira, já que os associados têm participado ativamente como entrevistados e fontes para os programas.

Neste um ano de Pão e Cerveja participaram do programa os associados Henrique Oliveira, Marco Falcone, Armando Fontes, Danilo Mendes, Rodrigo Lemos, Paulo Furst, Roberto Aquino,Evandro Zanini, Felipe Viegas, José Augusto Silveira, Cristiam Rocha, Daniel Teixeira Chaves, Luiz Flávio Leão, entre tantos outros convidados.

Para comemorar o aniversário, no dia 29 de maio, o programa será muito especial. A Nanocervejaria Kud Bier, do associado da AcervA Mineira Alencar Barbosa, está abrindo as portas para a transmissão ao vivo, com duas horas de duração. O programa vai contar com participação de convidados mineiros e de outros estados, além é claro, da presença dos cervejeiros caseiros de Minas Gerais. Será uma grande mesa redonda, onde serão discutidos assuntos como harmonização de cerveja com gastronomia, o mercado para as cervejas especiais no Brasil, a opção de quem dedica a vida a produzir cerveja artesanal, o momento atual para a cultura cervejeira no país. Enfim, um momento único para o encontro de quem se interessa pelo assunto.

Após o Pão e Cerveja, que vai ao ar das 10h às 12h, mais uma surpresa nos aguarda: o Frei Tuck Biergarten, uma festa inédita, onde os cervejeiros caseiros associados da Acerva Mineira vão poder vender seus produtos. Tudo isso acompanhado de comida alemã e música da melhor qualidade a cargo do turma do Clube do LP.

Para participar da transmissão do programa é preciso seguir o twitter da AcervA Mineira e Twitar a mensagem: "Eu quero participar do Pão & Cerveja da CBN!!!". Somente os 30 primeiros farão parte da platéia CBN. O Twitter da AcervA Mineira é www.twitter.com/acervamineira.

Não perca! Dia 29 de maio, a partir das 10h.


A Nanocervejaria Kud Bier fica na Rua Kenton, 36, Bairro Jardim Canadá em Nova Lima.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Biblioteca de garrafas!

No mês passado um chef mexicano abriu a Biblioteca da Tequila em NY. Acho que aqui faria o maior sucesso a Biblioteca da Cachaça.
                                                                                Crédito: Jeffrey Alan Miller/AE

Clássicos de Shakespeare, Edgar Allan Poe e Walt Whitman dão lugar a Don Julio, Sauza, Patrón, Jose Cuervo, entre outras celebridades cultuadas na mais nova biblioteca de Nova York, La Biblioteca de Tequila.

Aberta há duas semanas no andar de baixo do restaurante Zengo, ela pertence ao chef e restaurateur mexicano Richard Sandoval, dono de mais de uma dezena de casas espalhadas pelos Estados Unidos.

O espaço é decorado com luminárias antigas, lustres em forma de pequenos abajures e sofás Chesterfield - aqueles clássicos das bibliotecas inglesas com estofados capitonê e os braços na altura do encosto. Mas a sobriedade do ambiente é quebrada pela trilha sonora, que ecoa rock dos anos 90.

As prateleiras exibem uma coleção de tequilas - só merece o nome o destilado de agave azul produzido em cinco regiões do México, as que fazem parte da Denominação de Origem. Ao todo encontram-se ali 350 garrafas da aguardente mexicana em todas suas categorias: tequila branca, repousada, envelhecida e extraenvelhecida, além dos mezcais (feitos de agave de diversos tipos).

Existem ainda versões aromatizadas e as chamadas tequilas mistas, que levam outros destilados, mas mantendo 51% de agave azul, conforme regulamentação do Conselho Regulador da Tequila, CRT.

O lugar funciona como uma espécie de clube. E para conseguir a carteirinha de sócio é preciso comprar pelo menos uma garrafa - os preços vão de US$ 70 (caso da repousada Hijos de Villa, que tem um formato de pistola) a US$ 2.500, caso da 1800 Colección 2000 "Solo Luz", extraenvelhecida. Convertendo, custam entre R$ 120 e R$ 4.400.

Quem cuida do cadastro dos sócios é Courtenay Greenleaf, que anota na carteirinha o nome da garrafa e a data da aquisição. A garrafa fica guardada ali, e para tomar uma dose é preciso apresentar a carteirinha.

Ninguém está autorizado a levar a bebida para casa. "As pessoas se sentem especiais tendo a própria carteirinha e garrafa", diz Courtenav.

Ninguém é obrigado a ficar sócio para poder provar as diferentes tequilas. É possível sentar ali e pedir shots, que custam a partir de US$ 8, como a Don Nacho branca.

Quem preferir drinques feitos com a tequila em vez da bebida pura, também encontra opções ali, especialmente margaritas. Para acompanhar, há tacos, entre outras especialidades da culinária mexicana.

Às terças-feiras há degustações temáticas da bebida. Por US$ 15, o aprendiz tem direito a três shots da marca escolhida da semana (o preço pode mudar conforme o valor cobrado pelas garrafas provadas) e ainda aprende o processo de produção, a partir de explicações de um representante do produtor da bebida.

"Queremos mostrar às pessoas que assim como acontece com o vinho, o sabor e o aroma da tequila também são influenciados pelo terroir e pelo modo como ela é produzida", explica Courtenay, que prefere não ser chamada de sommelière de tequila até conseguir sua certificação oficial emitida pelo órgão mexicano CRT.

E se há uma coisa que você não vai encontrar nesta biblioteca são livros - nem sobre a tequila.

ONDE FICA
La Biblioteca de Tequila
622 Third Avenue (esquina com 40th Street), Nova York, 00/xx/1/212/808-8110

Fonte: Estadão

Pernilongos preferem sangue de quem bebe cerveja

Cervejeiros de plantão, muito cuidado! Vi agora no Virgula:

Quem diz que os pernilongos preferem o sangue de gordinhos está enganado. Segundo um estudo australiano recente publicado pela PloS One, o banco de dados online da Public Library of Science, pernilongos e demais mosquitos gostam do sangue de quem bebe cerveja.

Para chegar a tal conclusão, os pesquisadores da Austrália reuniram voluntários - homens de 20 a 43 anos - em Burkina Faso, na África, e analisaram a reação dos insetos diante de um grupo que bebeu cerveja e outro que bebeu água.

Os voluntários foram divididos em tendas com um complexo sistema de tubulação para circulação do ar entre as barracas. Ao final da experiência, os cientistas verificaram que o grupo dos bebedores de cerveja atraiu 47% dos mosquitos que foram colocados na tenda, contra 38% dos que beberam apenas água.

"Desconsiderando características individuais de cada voluntário, o consumo de cerveja aumentou consistentemente a atratividade aos mosquitos", escreveram os autores do estudo.

No entanto, os pesquisadores não souberam dizer o motivo pelo qual os insetos preferem o cheiro de bebedores de cerveja, mas acreditam que não há relação com a mudança da respiração ou com o aumento da temperatura do corpo.

Seja como for, o estudo aponta para um relação entre álcool e aumento de doenças transmitidas por mosquitos e pernilongos. No caso da África Ocidental, região que é fortemente afetada pela malária, os cientistas sugerem que o consumo de cerveja seja mais controlado para reduzir o problema de saúde pública da malária.

Será que esse estudo também ajuda a explicar o problema da dengue no Brasil?

domingo, 2 de maio de 2010

Salsichas com salada de batatas à moda alemã

No curso na Taberna do Vale adquirimos duas cervejas da casa, a Carolweiss e a Mariwit, ambas de trigo. Na última sexta-feira o marido me incumbiu de cozinhar alguma coisa que harmonizasse com elas. Decidi seguir a mesma linha da harmonização do curso, e resolvi fazer salsichão com salada de batatas no estilo alemão. Aqui no blog já tem uma receita com salsichão e salada de batatas, mas à moda dos bistrôs franceses.

No supermercado achei algumas opções de salsichas da marca Berna que me pareceram apetitosas. Comprei um pacote de mix de mini salsichas e lingüiças e um pacote de salsichas cervelá. Encontrei também uma mostarda com curry da marca Hemmer, e pensei que o curry iria harmonizar bem com essas cervejas, que possuem um toque de especiarias. Pergunta se a harmonização deu certo? A cara do Bruno já diz tudo.


Fiz as salsichas segundo as instruções do pacote. Coloque água em uma panela que seja suficiente para cobrir as salsichas. Quando a água ferver, desligue o fogo e acrescente as salsichas. Tampe e deixe por 5 minutos. Retire as salsichas da água e faça cortes superficiais com uma faca. Esquente uma frigideira com um fio de azeite e grelhe as salsichas. Sirva com a salada de batatas e mostarda amarela.

Salada de batatas alemã
(para 4 pessoas)

Ingredientes

1kg de batatas
1 cebola média bem picadinha
2 colheres de sopa de mostarda amarela com curry
3 a 4 colheres de sopa de vinagre
2 colheres de sopa de iogurte natural
2 colheres de sopa de salsinha picada
2 colheres de sopa de azeite
Sal e pimenta do reino a gosto

Modo de preparo

Cozinhe as batatas com casca e sem sal, sem deixar que fiquem moles. Depois de cozidas, mas firmes, descasque-as ainda quentes e corte em rodelas finas. Misture os outros ingredientes em uma tigela e junte às batatas, misturando com cuidado para que elas não se desmanchem.


Degustando cervejas especiais

No sábado, 24 de abril, tivemos a oportunidade de conhecer um pouco mais o mundo das cervejas especiais, no curso ministrado pelo home brewer Felipe Viegas, da Taberna do Vale. Fomos introduzidos a aspectos interessantes da cultura cervejeira, e tivemos a alegria de degustar diversas cervejas artesanais, que foram harmonizadas perfeitamente com pratos preparados pelo chef Alexandre Frigo. As fotos são do blog da Taberna.

Olha eu e o maridão lá na ponta da mesa

Aprendemos que as nossas cervejas populares não são do estilo Pilsen mas, sim, American Lager. Muitos também se assustaram ao descobrir que bebemos cerveja com pouca cevada e muito milho! É isso mesmo: metade do cereal usado no processo de fabricação não é cevada, é milho. Uma Brahma, Skol, Antarctica, Itaipava ou Bohemia gelada tem o seu lugar, quando você deseja refrescar-se em um dia escaldante. E só.

Experimente tomar uma cerveja dessas a uma temperatura acima de 5ºC. É simplesmente intragável. E o cheiro de batata cozida? As cervejas são servidas a -5ºC porque nessa temperatura nossas papilas gustativas ficam anestesiadas, o que faz com que a gente não sinta gosto de nada. Uma Lager artesanal é servida entre 6 e 12ºC, para que possamos apreciar seus aromas e o seu sabor.

Existem no mundo mais de 120 estilos de cerveja. É um universo imenso a ser explorado, que possibilita inúmeras harmonizações com comida. Nessa área, a cerveja é mais versátil do que o vinho. Ovos e chocolate, que são reconhecidamente harmonizações difíceis no mundo do vinho, encontram pares perfeitos se degustados com cerveja.

No curso, a X-Wals (Pilsen) casou muito bem com o provolone pachá. Em seguida, a Carolweiss (Weizenbock), fabricada na Taberna, foi harmonizada com Salsicha Branca Alemã e Mostarda Amarela.


Surpreendente foi a combinação entre Embutido de Canastra Curado em Tâmaras Secas com a Wals Dubbel (Abadia), já que eu não gosto de tâmaras.


A Costelinha ao Molho Barbecue também harmonizou perfeitamente com a Falke Estrada Real (India Pale Ale).


E para fechar com chave de ouro, Falke Ouro Preto (Dunkel Lager) com Releitura de Tiramissu no copinho de chocolate.


Gostamos tanto que logo deveremos fazer os Módulos II e III, quando aprenderemos a fazer cerveja. Só não sei ainda como vamos instalar uma micro-cervejaria aqui em casa. Mas isso já é outra história.

Para os interessados em participar dessa deliciosa sessão de degustação, no dia 15 de maio acontece o próximo curso. Confira a programação completa no blog da Taberna do Vale.