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quinta-feira, 18 de março de 2010

Viva Chile!

Estive no Chile há cerca de três anos, e fiquei muito bem impressionada com o país, sua cultura e seu povo. Diferente dos “hermanos” argentinos, os chilenos são afáveis, bem-humorados, sempre prontos a ajudar. O desenvolvimento também me chamou a atenção. Santiago é uma cidade moderníssima, limpa, onde o sistema de transporte público funciona. E a paisagem, com a Cordilheira dos Andes ao fundo, é de tirar o fôlego.


Quase enlouquecemos com os vinhos. Se aqui no Brasil eles já são baratos, imagina lá. Trouxemos mais de 20 garrafas!! O esquema foi profissional, e é o que recomendo para quem quer trazer vinhos do exterior. Levamos uma mala vazia, com um edredon dentro e plástico bolha. Embalamos direitinho, e distribuímos as garrafas fazendo camadas com o edredon. Todas chegaram aqui intactas!


As videiras chegaram ao Chile com os missionários espanhóis, na metade do século 16, mas foi na década de 1990 que o país foi reconhecido pelos seus vinhos de excelente qualidade e preços acessíveis. Com o aumento do interesse no produto, o Chile expandiu seus vinhedos e fez uma descoberta. Em 1994, a variedade Bordeaux Carmenere foi encontrada escondida entre os vinhedos de Merlot. Tal variedade tinha sido dada como perdida com o surto da filoxera, praga que arrasou os vinhedos europeus nos idos de 1900. No entanto, ela estava sã e salva e bem escondida nos vinhedos chilenos de Merlot, pois tinha chegado ao Chile antes da praga. Hoje, a Carmenere é o carro-chefe dos vinhos chilenos.

Recomendo muito a visita a pelo menos uma vinícola. A Concha y Toro, maior exportadora do país, é a mais conhecida, mas existem dezenas de outras. Fizemos o passeio na Concha y Toro. Na chegada, recebemos uma taça, para ser usada na degustação de três vinhos da casa.


Depois de assistirmos a um vídeo, o guia nos levou para conhecer toda a propriedade. A sede, em estilo neoclássico, é linda.


Conhecemos também as adegas e passeamos por entre as videiras. O tour termina na loja da vinícola, onde você pode comprar os produtos da Concha y Toro.




Os passeios às cidades litorâneas de Viña Del Mar e ao porto de Valparaíso também valem a pena.



No caminho, a paisagem é linda, com vinhedos a perder de vista.


A viagem terminou com a promessa de voltarmos ao Chile, desta feita para um tour somente pelas muitas e maravilhosas vinícolas.

quarta-feira, 17 de março de 2010

O terremoto e o vinho do Chile


Muito se falou dos prejuízos causados pelo terremoto, mas pouco se falou do impacto sofrido pelas vinícolas chilenas. Os fortes abalos comprometeram a colheita e a elaboração de vinhos da safra 2010, destruindo vinhedos, instalações e estoques. Segundo René Merino, presidente da companhia “Viños de Chile”, os tremores teriam ocasionado um prejuízo de 125 milhões de litros, ou aproximadamente US$ 250 milhões, o que corresponde a 12,5% da produção de 2009.

Mais de 70% das adegas ficam em áreas afetadas pelo terremoto, e a companhia privada, que agrega 92% da produção total, afirmou que as perdas podem ser ainda maiores, mesmo que quatro dias após o abalo as cadeias de engarrafamento já se encontravam em operação. Muitos tanques de aço cheios de vinho desabaram. As regiões mais afetadas são Maule e Bió-Bió. Em Maipo, Aconcagua e Limarí os danos foram mais reduzidos. Vinícolas como Casa Silva,Viu Manent, Miguel Torres, Montes, Lapostolle perderam tanques, barricas e vinhos engarrafados.

Muitas bodegas são construídas em paredes de adobe, que funciona como isolante térmico. Essas construções já resistiram a outros tremores, mas agora desabaram, danificando barricas e estoques. Quanto aos vinhedos, sistemas de condução caíram, com parreiras carregadas às vésperas da colheita, mas não se esperam grandes perdas nessa área.

Os prejuízos podem refletir fortemente na disponibilidade de vinhos da safra 2010. Com esta situação, é possível que os preços dos vinhos chilenos sejam afetados no mercado internacional, ou pelo menos haja dificuldades na disponibilidade dos produtos. As condições das estradas e portos do Chile também prejudicam o embarque dos primeiros contêiners de 2010. Por isso, é melhor garantir e fazer um estoque em casa de algumas garrafas dos excelentes vinhos chilenos.